Sozinha No Porto, Em Meio Ao Caos


Me levou ao céu e também me fez descer até o inferno. Me jogou pra fora do navio, num oceano em plena tempestade e foi embora e tratou de imediato que eu não tivesse como te achar, e disso eu só me dei conta quando eu resolvi aceitar que estava só, e assim fiz o que você queria: te deixei em paz sem te perturbar com o nós.

Aceitei essa forma desumana de fim, por conta da sua (...) Da qual preferi me iludir que a maior parte da culpa por essa sua atitude covarde foi "dela".

Passei por tudo sozinha, sem ao menos o teu "ei, me desculpa, a gente não tem mais nada mas estou aqui pra gente conversar, você vai entender". Mas não, você chegou em terra firme e se refez, seguiu a vida como se nada tivesse acontecido, me tendo como morta e enterrada em sua memória. Você me jogou no lixo, onde descarta tudo que te ameaça fraquejar.

Mas agora eu vejo diferente, compreendi - não só, mas com a ajuda de quem hoje tem de mim o que eu não tive coragem de viver com você no "nosso tempo" - que, o que você fez foi estratégico para me tirar do teu coração, pois se fosse terminar "oficialmente", do modo "normal", você não teria conseguido ir, e iríamos então continuar ficando, e ficando, sem nada sólido.

Por pensar hoje diferente, compreendi que, na verdade, você foi muito corajosa e sábia, e por isso te peço desculpa por todas às vezes que eu te fiz sentir mal com os meus comentários e indiretas pesadas.

Hoje, após uma década que me deixou a ver navios, estou finalmente bem. Foi mega bom e não me arrependo, a vida segue! E só tenho a te agradecer pela paciência que sempre tem para esse tipo de coisa, porque coloca a sua velha armadura de gelo e segue.

Cristiana Oliveira

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